Segurança da dieta cetogênica na terapêutica do câncer




Em 2016, a escola de medicina da Pensilvânia, EUA, publicou um artigo que tinha como objetivo principal apresentar a segurança e a viabilidade da dieta cetogênica em pacientes com câncer. A pesquisa partiu do conceito de que a disfunção mitocondrial das células malignas limita o uso de energia a partir de ácidos graxos e cetonas.⠀

O estudo incluiu 17 pacientes com câncer muito avançado, sem tratamento com quimioterapia. A dieta cetogênica era baseada no consumo de 50 a 40 gramas de carboidratos durante 4 meses. Os pacientes foram avaliados semanalmente até a semana 4, depois a cada 4 semanas até completarem as 16 semanas. Nas semanas 4, 8 e 16 foi realizado o exame de pet-scan para avaliação do tumor.⠀

Após a avaliação dos parâmetros, conclui-se o seguinte:⠀

100% dos participantes apresentaram perda de peso não relacionada a má-nutrição ou ao tumor (peso gordo)→ manutenção e melhora da qualidade de vida;⠀

Pacientes que perderam pelo menos 10% da massa corporal, apresentaram melhor resposta clínica; ⠀

A dieta foi bem tolerada;⠀

A função renal, os valores de colesterol e o hemograma mantiveram-se estáveis; ⠀

Foi observada melhora de qualidade de vida com a aplicação de questionários;⠀

Relatou-se melhora de queixas gastrointestinais. ⠀

Como poucos pacientes participaram da pesquisa, sendo que apenas 11 concluíram o estudo, não foi possível avaliar estatisticamente o efeito da dieta no crescimento tumoral. Porém, ao fim das 16 semanas, 4 pacientes apresentaram estabilidade da doença ou redução dos sintomas associados a esta. Um dos pacientes que manteve a dieta cetogênica por cerca de 80 semanas, não teve recidiva de melanoma metastático e sobreviveu por mais 131 semanas.⠀

A dieta cetogênica se mostrou segura e viável de acordo com tal estudo. Apesar de pequena, a pesquisa nos mostra importantes conclusões que desmistificam tabus que cercam a dieta cetogênica.⠀

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