Privação do sono: consequências metabólicas




Os distúrbios do sono estão cada vez mais prevalentes no contexto atual. O excesso, a irregularidade e, principalmente, a privação de sono (menos de 6 horas de sono, regularmente) podem causar desregulação metabólica e aumentar o risco de desenvolver doenças. ⠀

Artigo publicado em 2017 buscou explicar essa relação dos distúrbios do sono com o desenvolvimento de desequilíbrios hormonais. A pesquisa contou com 11 participantes que foram avaliados por meio de polissonografia e de exames de sangue. A polissonografia é o estudo do sono e da qualidade, enquanto os exames de sangue revelaram a quantidade dos hormônios cortisol e hormônio adrenocorticotrófico (ACTH).⠀

Durante à noite, foi injetado o Hormônio Liberador de Corticotrofina (CRH), com o objetivo de avaliar os níveis de cortisol a partir disso, importante hormônio que atua na resposta do metabolismo ao estresse. O CRH é o hormônio é produzido pelo hipotálamo e é responsável por estimular a liberação de ACTH pela hipófise, que estimula a adrenal a produzir cortisol.⠀

Observou-se que os níveis de ACTH eram basalmente elevados após privação de sono, no entanto não respondiam a injeção de CRH. Esperava-se que o CRH exógeno estimularia o aumento de ACTH e de cortisol, no entanto a falta de sono adequado parece desregular o eixo e reduzir essa resposta em 27% e 21%, respectivamente. Isso mostrou uma redução da sensibilidade da adrenal em pessoas que passam por privação de sono, prejudicando a resposta metabólica ao estresse, a qual é mediada, basicamente, pelo cortisol.⠀

O estudo concluiu que a privação aguda de sono causa alterações no eixo hipotálamo-hipófise-adrenal com aumento dos níveis basais de ACTH, redução da resposta do ACTH e do cortisol ao CRH redução da reatividade e recuperação da resposta do cortisol ao CRH. Essas anormalidades do eixo diante de distúrbios do sono estão associadsa ao maior risco de desenvolvimento de condições como obesidade, diabetes, doença cardiovascular e imunossupressão.⠀

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