Por que é tão difícil escolher o que comer?




Saber o que comer é difícil não só para quem está de dieta. Muitas das próprias pesquisas envolvendo o assunto são mal delineadas e malconduzidas, com falhas até nas mais básicas medidas de controle de qualidade.


A maioria dos testes não utiliza amostras de tamanho adequado e propõe intervenções de curta duração apenas. Já sabemos que é possível perder peso restringindo calorias no início de uma dieta, mas poucas pessoas conseguem manter substancial perda de peso dessa maneira, uma vez que leva várias semanas para se adaptar às principais mudanças nos nutrientes. Assim, estudos de curto prazo podem ter pouca relevância para entender como a dieta afeta a saúde a longo prazo.


Com a crescente da Medicina Baseada em Evidências, o elo entre a boa pesquisa cientifica e a prática se fortalecem. A indústria farmacêutica conhece bem isso, com o desenvolvimento, avaliação e disponibilização de novos medicamentos. Os estudos dietéticos, por outro lado, são porcamente financiados, o que impacta diretamente na sua qualidade e na produção de resultados significativos. Não me admira que isso aconteça, já que são investidos centenas de milhares de dólares em pesquisas em nutrição e centenas de milhões de dólares em pesquisas na área de medicamentos.

Reduzir gordura ou carboidrato? Carne vermelha faz mal à saúde? E o açúcar, é tóxico? O debate de questões básicas como essas já vem se perpetuando há décadas e a falta de evidência científica impacta diretamente nos conhecimentos acerca de alimentação e na sua possível aplicação para prevenir de doenças.


Dessa forma, acredita-se que a pesquisa em nutrição, para prevenir doenças, deve ter a mesma qualidade e rigor que a pesquisa farmacêutica, para tratar doenças, e para isso necessita do devido financiamento. Os potenciais resultados são imensuráveis, visto que estamos falando não apenas de números e dos retornos na economia de custos médicos que esse investimento financeiro trará, mas também de qualidade de vida.

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