Gordura Saturada: Tá com medo de quê?




Primeiro, vou explicar como interpretar estudos observacionais, aqueles que são mais usados.⠀

O mais importante é procurar estudos grandes, de preferência uma análise estatística bem feita deles (revisões sistemáticas e meta-análises), para diminuir os fatores de confusão. Vou mostrar uma série de estudos que vão deixar uma pulga atrás da orelha… Vamos, lá?! 😉⠀

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Existem alguns estudos observacionais (um famoso é a coorte da Universidade de Harvard) que associam gordura saturada à doenças cardiovasculares. É a mesma população ( o grupo analisado é sempre o mesmo) e, de tempos em tempos, eles publicam os resultados (como se fosse um estudo novo, uma novidade, quando na verdade é a mesma população vista alguns anos depois), que sempre associam gordura saturada a risco cardiovascular. Esses estudos viram manchetes como se ASSOCIAÇÃO fosse CAUSA, Mas NÃO É!⠀

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O estudo 1, com número de participantes muito maior que a coorte de Harvard, mostrou que não há nem mesmo uma associação!! ⠀


O estudo 1 é também uma meta-análise, porém de 21 estudos observacionais, e com SEGUIMENTO DE 23 anos! Vocês podem ver no Forest plot que a gordura saturada mais uma vez não teve nem associação com desfechos cardiovasculares.⠀⠀⠀

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Por quê as diretrizes da American Heart Association e de todos que a copiam dizem o contrário? Eles se baseiam em estudos observacionais que encontraram associação. Como já sabemos estudos observacionais que encontram associação de uma coisa com outra não provam nada, apenas geram hipóteses, entende?!⠀

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Um exemplo disso é que café tem ligação muito forte nos estudos com câncer de pulmão. No entanto, quando analisaram melhor, observaram que as pessoas que tomavam café e tinham câncer de pulmão também fumavam, ou seja, o cigarro era a CAUSA! ⠀

Esses estudos não controlam todas as variáveis, por isso há o risco de variáveis escondidas ou mal controladas causarem o desfecho. Use pesquisas observacionais para excluir hipóteses. Neste, excluímos que a gordura saturada poderia causar infarto ou AVC!⠀


O estudo 2, publicado no Annals of Internal Medicine, bate o martelo, com relação à ausência de associação entre gordura saturada na dieta e risco de infarto do miocárdio.⠀

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Observe que são mais de quinhentas mil pessoas! Difícil entender porque alguns profissionais e sociedades médicas escolhem a dedo um ou outro estudo para basear as diretrizes, sendo que revisões sistemáticas e meta-análises já disseram há mais de 4 anos que não existe associação!!!⠀

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Ahhh e existem estudos em pessoas infartadas que passaram a comer gordura saturada após o infarto… ⠀


O estudo 3 é muuito interessante! Publicado no American Journal of Clinical Nutrition em 2004, ele mostra que 235 mulheres menopausadas que já haviam infartado, foram estudadas através de cateterismo cardíaco antes e depois do estudo.⠀

Foi avaliado o consumo de macronutrientes (carboidratos, gorduras e proteínas) para determinar se a gordura saturada poderia piorar quadros de estenose coronariana (o grau de entupimento de artérias) após o infarto.⠀

Os resultados mostraram que as pessoas que ingeriram mais gordura saturada tiveram menor progressão da estenose coronariana, e os que consumiram mais carboidratos tiveram piora da estenose! O estudo, por ser observacional, não pode provar que carboidratos fazem mal, porém, devido ao resultado positivo obtido com a gordura saturada, podemos dizer que não há como ela causar estenose, NEM MESMO em quem infartou!⠀

Interessante, né?!⠀

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