Câncer colorretal e tratamento metabólico




O câncer colorretal é um tumor de tratamento complexo que, na maioria das vezes, exige tanto tratamento cirúrgico quanto quimioterápico. O tratamento padrão-ouro de adenocarcinoma colorretal localmente avançado é a quimioterapia seguida pela ressecção cirúrgica. No entanto, há uma alta probabilidade de que o tumor não seja totalmente retirado e que aconteça recidiva da doença.



Diante disso, um relato de caso publicado pelo grupo de oncologistas que fazem tratamento metabólico do câncer visou avaliar a eficácia de tratamento não-cirúrgico para o câncer colorretal. O caso é de uma paciente com 81 anos que foi diagnosticada com adenocarcinoma retal invasivo, estágio III, com obstrução intestinal. Muitas vezes, a cirurgia pode ser demasiadamente invasiva com um complicado processo de recuperação, o que levou a paciente a recusar o tratamento cirúrgico. O artigo relata que a idosa apresentava diarréias sanguinolentas com períodos de constipação e muita dor. Assim, pensando em trazer qualidade de vida para a paciente optou-se por um tratamento menos invasivo e não cirúrgico: tratamento metabólico.


Incrivelmente, a paciente alcançou completa remissão do câncer após a seguinte terapêutica:


· Quimioterapia com suporte metabólico 1 vez por semana: paciente em jejum e em cetose, recebe a aplicação de insulina regular endovenosa logo antes da quimioterapia, visando causar um choque metabólico no tumor e deixá-lo mais suscetível às drogas utilizadas (inicia-se infusão quando glicemias atingem entre 50-60mg/dL). Os quimioterápicos utilizados foram a oxaliplatina, 5-fluorouracil (5-FU) and Folinato de cálcio (FOLFOX6) ;

· Radioterapia (dose total 50,6Gy em 22 sessões distribuídas 5x na semana por 1 mês)

· Hipertermia local 1 vez na semana, logo após a quimioterapia, por 60 minutos.


Estudos mostram que a insulina pode aumentar o efeito citotóxico da quimioterapia para as células tumorais, já que promove maior permeabilidade e fluidez da membrana celular, o que eleva a penetração das drogas. Além disso, a insulina se liga a algumas drogas, formando complexos que entram nas células tumorais via receptores de insulina de IGF-1 (bem maiores em número em células neoplásicas que em células normais). A insulina se liga a receptores de IGF-1 e causa um efeito “cruzado” de estender a fase “S” do ciclo celular, tornando as células neoplásicas mais sensíveis ao quimioterápico, principalmente aos que interferem nessas fases do ciclo celular. Assim, é possível usar doses menores e menos tóxicas dos quimioterápicos com maior eficácia.⠀

A hipertermia local é um tratamento inócuo que sensibiliza o tumor à radioterapia e à quimioterapia (num fator de 1,2-10 vezes!)⠀

O follow up foi de 27 meses, sem recidiva, mesmo sem cirurgia. Isso nos leva a pensar...será que não deveríamos estudar sobre isso?⠀

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