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Dieta Cetogênica E Enxaqueca

21/01/2019

Olá, querido leitor e leitora do blog da Dra. Janaina Koenen.

 

Aqui quem fala é o Guilherme e o Roney, do site Senhor Tanquinho.

 

Estamos aqui para apresentar um trecho da excelente entrevista que a Dra. Janaina concedeu para nós.

 

Neste trecho, a Janaina fala sobre enxaqueca — e o que fazer a respeito.

 

Veja abaixo a resposta da Janaína sobre este tema — e preste muito atenção, porque ela mesma já sofreu muito com crises de enxaqueca.

 

A enxaqueca acomete muitas pessoas, eu não sei exatamente os números, mas é muito frequente as pessoas se queixarem — mulheres, principalmente, no período pré-menstrual.

 

É uma dor vascular, é um espasmo arterial.

 

As artérias se apertam e soltam, e aí vem uma dor.

 

É por isso que a dipirona e o paracetamol (que são os analgésicos comuns) não têm uma ação muito boa nesse tipo de enxaqueca.

 

Sendo assim, nós usamos drogas específicas. Eu sei que aqui não é para falar de drogas para enxaqueca, mas é importante destacar que os tratamentos são diferentes.

 

Tem pessoas que pioram muito na fase pré-menstrual e tem pessoas que têm enxaqueca direto, independentemente da menstruação.

 

É uma dor de cabeça muito forte, geralmente. Para quem não sabe exatamente o que é, é uma dor que pulsa.

 

Ela fica latejando, geralmente na têmpora (que é na região entre a orelha e os olhos, aqui do lado da cabeça), e tende a acontecer de um lado só.

 

A pessoa pode ter uma aura antes, na qual a pessoa enxerga umas luzinhas, que são tipo uns vagalumes, que nós chamamos de escotomas.

 

Ou ela pode sentir um cheiro ruim. Ou a luz pode incomodar muito e pode dar uma náusea, um enjoo. Isso chama aura.

 

Geralmente, em quem tem enxaqueca com auras, as enxaquecas são mais graves.

 

Então a pessoa já sabe que vai ter a dor.

 

Então tem que tomar o remédio na hora da aura. Não é para esperar a dor vir.

 

Nunca sem ir no médico, tá, gente?

 

Então se você está se identificando com a descrição, e pensando: “Eu tenho isso!”... vá ao Neurologista, e faça o diagnóstico direitinho. Vale a pena ir.

 

Quem tem enxaqueca com aura não pode tomar anticoncepcional oral porque aumenta o risco de AVC. Eu já vi casos.

 

Realmente é muito perigoso, então, se você é mulher e tem enxaqueca com aura, vai no seu Ginecologista, vai trocar; põe o DIU, ou usa outra pílula, se for o caso.

 

Voltando à enxaqueca, nessa hora é que vem a dor. E essa dor não passa por nada no mundo.

 

A pessoa vai ficar em um quarto escuro.

 

A luz incomoda, o barulho incomoda, a pessoa tem enjoo, tem pessoas que vomitam e, dependendo do grau, o remédio oral não adianta.

 

Então isso é enxaqueca.

 

Têm vários níveis, como vocês podem perceber.

 

Tem gente que toma Neosaldina e resolve — mas em quem tem enxaqueca mesmo, isso não costuma resolver.

 

A minha enxaqueca eu tinha que ir para o hospital, tomar corticoide na veia, tomava remédio nasal — os medicamentos que vão pelo nariz — porque eu vomitava e tal.

 

Têm tratamentos para prevenir a enxaqueca?

 

Tem os antidepressivos, mas que aumentam o ganho de peso demais, e tem muito efeito colateral — dá constipação, boca seca.

 

Tem os anticonvulsivantes que tratam enxaqueca, que são bons para dor crônica, mas que por outro lado dão déficit de atenção — eu tenho pacientes que já caíram do banquinho.

 

Subiu no banquinho, esqueceu que estava em cima do banquinho, caiu e quebrou o braço, por uso dessas medicações.

 

Tem gente que está indo para casa, esquece que estava indo para casa, esquece onde é a casa, esquece a chave…

 

Então tem pessoas que ficam muito bem, e tem pessoas que têm muitos efeitos colaterais.

 

Então não é que é uma doença com tratamento estabelecido, que está ótimo, lindo e maravilhoso.

 

A ponto de pensarmos: “Para que outra droga? Para que outra ideia?”

 

Não, a enxaqueca pode se beneficiar de outros tratamentos — porque os tratamentos atuais são difíceis.

 

Eu tenho pacientes que não se adaptaram.

 

Eu mesma não quis tomar nada disso porque eu tinha medo dos efeitos colaterais — embora eles tenham sido indicados para mim, porque a minha enxaqueca era grave.

 

E aí vem a ideia…  eu nem sabia que a dieta cetogênica melhorava a enxaqueca!

 

Eu achei curioso porque nunca mais eu tive crise nenhuma.

 

Aí eu entrei no PubMed, porque eu gosto de olhar tudo na raiz, sou meio chata com isso, e fui estudar.

 

E achei pouca coisa na literatura, mas achei.

 

(Algumas delas aqui, aqui, e aqui, por exemplo.)

 

Achei alguns artigos mostrando várias aplicações da dieta cetogênica na Neurologia, então não só na enxaqueca: têm alguns estudos em déficit de atenção.

 

A dieta cetogênica, então, algumas crianças estão sendo estudadas fazendo dieta cetogênica, que tem que ser acompanhada com um especialista, com Nutricionista.

 

O problema da dieta cetogênica em criança é a deficiência de Cálcio e de alguns nutrientes, que tem que ser muito bem equilibrada, algumas coisas têm que suplementadas.

 

Então eu não aconselho ninguém fazer nem low-carb para crianças em Diabetes tipo 1, nem cetogênica, sem acompanhamento de um Nutricionista, suplementação de Cálcio e Vitamina D, e acompanhamento das calorias.

 

Porque é importante as calorias estarem adequadas para a fase de crescimento de cada criança. A mesma coisa para a cetogênica.

 

Então a enxaqueca, eu achei, tem na literatura, a dieta cetogênica tem uma ação anti-inflamatória no Sistema Nervoso Central: nos neurônios, no cérebro.

 

Os neurônios consomem glicose, mas eles são perfeitamente capazes de consumir corpos cetônicos (cuja concentração aumenta no sangue quando nós fazemos uma dieta cetogênica, que é quando nós comemos menos de 25 gramas de carboidrato por dia — algumas pessoas menos, algumas pessoas mais, isso é individualizado).

 

Então eles perceberam que tem essa ação anti-inflamatória no cérebro e começaram a testar para várias doenças.

 

Na verdade, é uma dieta antiquíssima.

 

Nos anos 20 já se usava a dieta cetogênica para epilepsia.

 

Então a epilepsia refratária, na qual nada melhorava em crianças, eles usavam a cetogênica com boa resposta.

 

Mas aí apareceram os anticonvulsivantes: “Pô, é melhor deixar o menino comer o docinho dele, o arrozinho, carboidrato, crescer sem problema nenhum e sem ficar com essa preocupação de contar a caloria dos nutrientes, já que tem o remédio”.

Então caiu em desuso.

 

Mas até hoje a dieta cetogênica é muito utilizada aqui em Belo Horizonte, na CGP, que é o Centro Geral de Pediatria, que tem um ambulatório de doenças metabólicas e de epilepsia, que se usa dieta cetogênica em crianças.

 

Não é nada absurdo, nada radical no sentido de que: “Olha, estou experimentando nas pessoas”. Não.

 

Existem ambulatórios especializadíssimos em Belo Horizonte, do SUS, excelentes, onde se faz dieta cetogênica em crianças.

 

E eu tenho experiência com pacientes epiléticos também no meu consultório, no qual eu consegui reduzir muito a dose de anticonvulsivante.

 

Alguns pacientes ficaram sem. Outros usavam três ou quatro e agora estão com dois.

Então os Neurologistas deles ficaram super satisfeitos porque perde gordura corporal, melhora o foco deles, eles se sentem mais dispostos e conseguem reduzir um pouco essas drogas que têm muito efeito colateral.

 

Então essa ação anti-inflamatória, tanto na enxaqueca quanto na epilepsia, vem crescendo no sentido de estudos, na literatura está lotado de estudo.

 

Dieta cetogênica não é “moda”. (Diferentemente do que algumas pessoas falam.)

 

É percebido um aumento de foco, de concentração, melhora da disposição e da qualidade de vida.

 

Mesmo em assuntos controversos, como câncer, os pacientes foram testados, têm algumas meta-análises em dieta cetogênica em câncer terminal, em pacientes terminais, que estão muito cansados, muito debilitados e a dieta cetogênica melhorou a qualidade de vida.

 

A gente pode até fazer um podcast só disso se vocês quiserem.

 

E eu não estou falando de cura de câncer nem nada assim.

 

Eu estou falando de qualidade de vida e disposição — porque nós sabemos que quimioterapia e radioterapia acabam com a pessoa.

 

A pessoa fica muito cansada e não tem jeito, tem que fazer, tem que tratar o câncer.

Mas dá um cansaço danado.

 

Fora o câncer em si que aumenta a inflamação e dá cansaço, então a dieta cetogênica em um paciente tão debilitado consegue melhorar a qualidade de vida.

 

Eu vejo algumas postagens de pessoas no Instagram falando que diminui o foco da pessoa, a pessoa não tem foco…

 

Isso é só no comecinho da dieta, e olhe lá.

 

Porque, se você suplementar sal, magnésio e potássio — se você comer abacate; se você comer castanhas, como baru, amêndoas; salsão, que tem muito potássio — se você suplementar magnésio, seja via oral, seja comendo semente de abóbora, castanha-do-Pará, folhas verdes escuras; e comer muito sal e hidratar; talvez você não sinta nada.

 

E se você sentir, você põe um pouco de sal na boca e vira um copo d’água e em dez minutos você melhora.

 

Porque isso é o que acontece no começo da cetogênica: a gente perde sal, potássio e magnésio pela urina.

 

Uma pessoa que pega uma dieta de blog e vai fazer não sabe disso.

 

Cada um é de um jeito.

 

Um hipertenso que usa um diurético vai passar mal.

 

Eu tiro o diurético de hipertenso que eu acompanho e faz low-carb.

 

Imagina uma cetogênica.

 

Então não é que ela faz a pessoa passar mal.

 

Isso é uma adaptação do corpo da gente a uma dieta diferente.

 

Então é muito tranquilo. Eu acompanho pacientes e é muito tranquilo.

 

Raramente alguém passa mal e aí é só colocar sal na boca e melhora em dez minutos.

 

Eles ficam bobos: “Nossa, é mesmo, sal. Já melhorei”.

 

Então não justifica não tentar, sabe?

 

E com relação à enxaqueca eu não tenho nenhum paciente no meu consultório que tenha feito cetogênica e tenha entrado em cetose efetivamente que não esteja sem crise.

 

Ou pelo menos que não tenha melhorado absurdamente, tanto a intensidade quanto a frequência das crises de enxaqueca.

 

Para falar a verdade eu tenho uma paciente que não melhorou, mas ela nunca entrou em cetose.

 

Então tinham outras questões da dieta, do estilo de vida, que ela não conseguia entrar em cetose.

 

Mas todos os pacientes que fizeram dieta cetogênica e tinham enxaqueca, todos melhoraram.

Nós adoramos a entrevista com a Dra. Janaína — foi um dos nossos episódios favoritos!

Sendo que ela falou sobre muito mais do que “só” sobre enxaqueca — ela também compartilhou conhecimentos valiosos para diabéticos tipo 1.

 

Então vale a pena ler (ou ouvir) a entrevista completa, e compartilhar esse conhecimento com quem você se importa.

 

Você pode acessar gratuitamente o conteúdo da entrevista completa no nosso site: Podcast #045 — Endócrino Janaína Koenen Fala De Dieta Cetogênica Para Diabetes Tipo 1 E Enxaqueca

 

(Tem arquivo em áudio se você gostar mais de escutar do que de ler.)

 

Da nossa parte, somos muito gratos por ela ter concedido essa entrevista e compartilhado um pouco do seu conhecimento com a gente.

 

Aguardamos seu comentário lá no site!

 

Forte abraço,
— Guilherme e Roney, do Senhor Tanquinho.

 

 

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